Mostra fotográfica em Brasília resgata luta de quilombolas de Goiás e reforça memória ancestral
Exposição “Chão Ancestral” reúne imagens de comunidades quilombolas do Entorno do DF e destaca resistência, identidade e luta por território na capital federal.
Brasília (DF) – Uma mostra fotográfica instalada na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, está chamando a atenção do público ao retratar a história, a resistência e a luta de comunidades quilombolas de Goiás. A exposição, intitulada “Chão Ancestral”, reúne 35 fotografias que documentam o cotidiano e a trajetória de famílias da comunidade quilombola Mesquita, localizada na Cidade Ocidental (GO).
A iniciativa transforma um dos espaços mais movimentados da capital federal em um ambiente de reflexão sobre memória, ancestralidade e direitos territoriais das populações quilombolas.
Fotografia como instrumento de resistência
O trabalho exposto é assinado pelo fotógrafo Walisson Braga, que cresceu na comunidade quilombola e utiliza a fotografia como forma de preservação histórica e afirmação identitária.
As imagens retratam cenas do cotidiano, tradições culturais, vínculos familiares e a relação da comunidade com o território, reforçando a importância da preservação das raízes quilombolas em meio às pressões sociais e fundiárias.
Segundo relatos associados à mostra, o objetivo é transformar o ato de fotografar em uma ferramenta de resistência cultural, permitindo que a própria comunidade conte sua história a partir de dentro.
Quilombolas do Mesquita e a luta por reconhecimento
A comunidade quilombola Mesquita, em Goiás, é uma das mais antigas da região e ainda enfrenta desafios relacionados à regularização fundiária e ao reconhecimento pleno de seu território.
A exposição evidencia essa realidade ao apresentar imagens que vão além do registro artístico, funcionando também como denúncia social e forma de dar visibilidade a uma luta histórica por direitos básicos.
A proposta central da mostra é aproximar o público urbano da realidade dessas comunidades, muitas vezes invisibilizadas no cotidiano das grandes cidades.
Rodoviária do Plano Piloto vira espaço cultural
Instalada na Rodoviária do Plano Piloto, um dos principais pontos de circulação de Brasília, a exposição busca alcançar milhares de pessoas diariamente.
O local, marcado pelo intenso fluxo de trabalhadores, estudantes e turistas, se transforma em uma galeria a céu aberto, democratizando o acesso à arte e à cultura quilombola.
A escolha do espaço reforça a proposta de levar a produção artística para fora dos museus tradicionais e aproximá-la da população.
Ancestralidade, identidade e visibilidade
A mostra “Chão Ancestral” integra um movimento mais amplo de valorização da cultura afro-brasileira e quilombola no país. Ao ocupar espaços públicos com narrativas visuais de resistência, o projeto contribui para ampliar o debate sobre racismo estrutural, direitos territoriais e memória histórica.
Além do aspecto artístico, a exposição também se destaca pelo caráter educativo, ao provocar reflexão sobre o passado e o presente das comunidades quilombolas no Brasil.
Cultura como ferramenta de transformação social
Iniciativas como essa reforçam o papel da arte como instrumento de transformação social e valorização das identidades tradicionais.
Ao dar visibilidade às histórias de comunidades como a do Mesquita, a exposição contribui para fortalecer o reconhecimento da diversidade cultural brasileira e ampliar o debate sobre justiça social e reparação histórica.
A mostra segue aberta ao público na Rodoviária do Plano Piloto e deve continuar atraindo visitantes ao longo das próximas semanas.



Publicar comentário