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Aquecimento pode chegar a 1,8°C mesmo no cenário mais otimista, diz Pnuma

Aquecimento pode chegar a 1,8°C no melhor cenário

Relatório aponta que cortes imediatos nas emissões, adaptação e remoção de carbono podem reduzir a intensidade e a duração do aumento da temperatura.

O planeta deve ultrapassar, nos próximos anos, o limite de aquecimento de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Apesar do alerta, um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que ainda há possibilidade de limitar o pico da temperatura e conduzir o mundo novamente para níveis inferiores ao teto estabelecido pelo Acordo de Paris.

O estudo indica que o caminho mais viável passa por três etapas: ultrapassagem temporária do limite, estabilização no menor pico possível e posterior redução da temperatura média global. Para isso, os países precisarão acelerar de forma contínua o corte das emissões de gases de efeito estufa e ampliar medidas de adaptação às consequências da crise climática.

Cenário mais otimista prevê pico de 1,8°C

No cenário mais favorável analisado pelo Pnuma, o aquecimento chegaria ao pico de 1,8°C. Outras projeções apontam para temperaturas ainda mais elevadas. Segundo o relatório, cada fração adicional de grau aumenta a intensidade dos eventos extremos e eleva o risco de danos irreversíveis.

Entre as ameaças estão ondas de calor mais severas, enchentes, incêndios florestais, perda de ecossistemas, impactos sobre cidades costeiras e pequenos países insulares, além de prejuízos à saúde, à produção de alimentos, ao abastecimento de água e à infraestrutura.

O documento também chama atenção para os chamados pontos de inflexão climática. Quanto maior e mais prolongado for o aquecimento, maiores serão os riscos de desestabilização das grandes camadas de gelo, degradação da Floresta Amazônica e alterações em sistemas de correntes oceânicas que ajudam a regular o clima mundial.

Redução das emissões deve ocorrer junto com adaptação

A ONU defende que mitigação e adaptação avancem ao mesmo tempo. A redução das emissões precisa incluir a diminuição do uso de combustíveis fósseis, a expansão das energias renováveis e o controle do metano. Paralelamente, governos devem fortalecer a proteção de comunidades vulneráveis e preparar cidades, sistemas de saúde e cadeias de abastecimento para impactos que já não podem ser evitados.

A estratégia também prevê alcançar emissões líquidas zero e, posteriormente, emissões líquidas negativas. Nessa fase, a remoção de dióxido de carbono da atmosfera deverá complementar — e não substituir — os cortes efetivos de gases de efeito estufa.

Entre as alternativas estão o reflorestamento, a recuperação de ecossistemas e tecnologias de captura direta de carbono. O Pnuma ressalta, porém, que essas soluções precisam de regras rigorosas para garantir segurança ambiental, transparência e justiça social.

Mesmo que a temperatura volte a ficar abaixo de 1,5°C, algumas perdas serão permanentes. Comunidades poderão precisar mudar de território ou de atividade econômica, o que exigirá políticas inclusivas, financiamento climático e participação das populações diretamente afetadas.

Responsabilidade internacional

O relatório reforça que os países com maior responsabilidade histórica pelas emissões e mais capacidade financeira devem agir com maior rapidez. Vontade política, cooperação internacional, governança inclusiva e recursos para nações vulneráveis são apontados como condições essenciais para evitar que a ultrapassagem do limite seja longa e ainda mais perigosa.

A avaliação da ONU é que ainda existe uma janela de ação, mas ela está diminuindo. A velocidade das decisões tomadas agora determinará até onde a temperatura subirá, por quanto tempo permanecerá acima do limite e quais danos poderão ser evitados.

Fontes

Agência Brasil

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)

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